Esquema de “Vaquinha”: Emendas de deputada federal abasteceram empresas que pagaram mansão de luxo para líder ao governo do Pará Dr Daniel

há 2 horas 3

Uma investigação do Ministério Público do Pará (MP-PA) revelou um suposto esquema de corrupção e triangulação de recursos públicos envolvendo a deputada federal Dra. Alessandra Haber (MDB-PA) e seu marido, o ex-prefeito de Ananindeua e pré-candidato ao governo do estado, Dr. Daniel Santos (Podemos). Segundo as apurações, emendas parlamentares destinadas pela deputada acabaram financiando a compra de uma mansão de luxo para o casal em Fortim, no Ceará.

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O imóvel, adquirido em outubro de 2024, foi entregue totalmente mobiliado e decorado. No entanto, o que chamou a atenção dos investigadores foi a origem dos pagamentos: nem o ex-prefeito nem a deputada desembolsaram valores próprios. A quitação, realizada em tempo recorde de cinco meses, foi feita por uma "vaquinha" de empresas que possuem contratos milionários com a prefeitura de Ananindeua.

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O caminho do dinheiro

O esquema operava de forma coordenada com os pagamentos da prefeitura. Em um dos casos citados na investigação, Alessandra Haber destinou uma "emenda Pix" de R$ 17,5 milhões para Ananindeua em 2024. Parte desse valor foi utilizado para pagar a Construtora Santa Cruz por obras de tapa-buracos.

No dia 20 de dezembro de 2024, a prefeitura repassou R$ 2,99 milhões à empreiteira. Na mesma data, a Santa Cruz transferiu R$ 500 mil diretamente para a incorporadora responsável pela mansão do casal. Dinâmica semelhante foi identificada com a empresa Norte Ambiental; três dias após receber pagamentos municipais por obras de asfaltamento, um funcionário da empresa depositou R$ 200 mil para a conta da incorporadora do imóvel de luxo.

Fornecedores de merenda e material escolar

A investigação aponta que o esquema não se restringiu ao setor de construção civil. Empresas de outros ramos também participaram dos repasses:

• Neo BRS: Fornecedora de materiais escolares. Um dia após receber R$ 1,4 milhão da Secretaria de Educação, pagou R$ 866 mil referentes à casa do prefeito.

• Ferreira Comercial: Também fornecedora da educação, transferiu R$ 521 mil para a incorporadora no mesmo dia em que recebeu pagamentos da prefeitura.

Desdobramentos judiciais

O caso chegou a ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Dr. Daniel Santos tentou anular as investigações alegando irregularidades no processo conduzido pelo MP-PA. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido e determinou que a apuração continue tramitando na Justiça do Pará.

Até o momento, a deputada Alessandra Haber e o ex-prefeito Daniel Santos não se manifestaram oficialmente sobre o teor das acusações. As empresas mencionadas também não responderam aos pedidos de esclarecimento. O espaço permanece aberto para manifestações.

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