#ArteviewNaPoltrona Review de “Super Mario Galaxy” (2026)

há 2 dias 4

Quando assisti o filme Super Mario Galaxy tive a sensação de que não era apenas sobre ver um filme, mas revisitar um universo que já faz parte da memória coletiva. Existe algo quase automático nesse encontro com Mario, como se o filme não precisasse se apresentar, apenas continuar de onde a nossa lembrança parou.

Mas, dessa vez, a proposta é maior.

A história leva Mario para além do Reino do Cogumelo, expandindo o universo para uma escala cósmica. Planetas, galáxias, novas regras de espaço e gravidade. Tudo parece funcionar como uma tentativa de transformar essa aventura em algo mais grandioso, quase épico, sem abandonar a simplicidade que sempre definiu o personagem.

E esse crescimento não acontece só no espaço, mas também nas relações.

A presença de Rosalina adiciona uma nova camada à narrativa, especialmente quando o filme sugere uma conexão com Princesa Peach. Existe ali uma tentativa de ampliar esse universo não apenas em escala, mas em laços, como se essas histórias começassem a se entrelaçar de forma mais afetiva.

Ao mesmo tempo, o filme reforça seus conflitos clássicos. Bowser continua sendo essa presença dominante, mas agora há um novo movimento ao trazer seu filho para a narrativa, em uma jornada que tenta resgatar o pai e, ao mesmo tempo, reafirmar esse lugar de vilão que nunca desaparece completamente.

E no meio disso tudo, o coração do filme continua sendo seus personagens.

Se no primeiro filme o público se encantou com Toad, aqui é impossível não se apegar a Yoshi. Sua chegada traz leveza e afeto, como se o filme entendesse exatamente o momento de desacelerar e deixar que a conexão aconteça de forma natural.

Visualmente, o filme aposta alto. A direção entende que esse universo precisa ser sentido, não apenas acompanhado. Cada planeta funciona como uma experiência própria, com ritmo, cor e movimento que remetem diretamente à lógica dos jogos.

Mas é justamente aí que surge o limite.

A narrativa segue uma estrutura segura, quase previsível, como se estivesse mais interessada em replicar a sensação de jogar do que em construir algo que realmente surpreenda. Existe uma sensação compartilhada de que o filme prefere o encantamento à ousadia, caminhando por trilhas já conhecidas.

Ainda assim, há uma tentativa de falar sobre descoberta. Sobre sair de um lugar conhecido e se lançar ao desconhecido. A travessia pelas galáxias funciona como um reflexo desse movimento, mesmo que o filme não se aprofunde totalmente nessa ideia.

Em alguns momentos, o excesso visual acaba atropelando a emoção. Tudo acontece rápido, bonito, dinâmico, mas nem sempre permanece. Falta, talvez, um pouco mais de pausa, de respiro, de permanência.

Ainda assim, existe algo que fica.

Talvez seja a familiaridade. Talvez seja o carinho por esses personagens. Ou simplesmente a sensação de estar, mais uma vez, dentro desse universo.

No fim, Super Mario Galaxy funciona como uma experiência que prioriza o encantamento. Não é um filme que busca profundidade, mas também não precisa ser.

Às vezes, atravessar uma galáxia ao lado de personagens que a gente já aprendeu a amar já é suficiente.

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