Dois anos depois, Polícia Federal ainda tenta identificar corpos de imigrantes encontrados em barco à deriva no Pará

há 2 horas 7

Um dos episódios impactantes envolvendo migração irregular no Brasil segue sem respostas definitivas. Dois anos após o caso, a Polícia Federal ainda não conseguiu identificar os nove corpos encontrados em um barco à deriva no litoral do Pará. A embarcação foi avistada no dia 13 de abril de 2024 por pescadores na região da ilha de Canelas, em Bragança, a cerca de 210 quilômetros de Belém. No interior do barco, foram encontrados oito corpos, enquanto um nono foi localizado na água.

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Após o resgate, os corpos foram levados para Belém em um caminhão frigorífico. O sepultamento ocorreu no dia 25 de abril de 2024, no cemitério público São Jorge, sem lápides ou identificação oficial. Até hoje, nenhuma das vítimas foi formalmente identificada.

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Apesar da contagem oficial de nove corpos, a investigação levanta a hipótese de que mais pessoas estavam na embarcação. Durante a perícia, foram encontrados 27 celulares, além de capas de chuva e outros objetos pessoais. O material foi recolhido e encaminhado para análise, na tentativa de identificar as vítimas ou reconstruir os últimos momentos da viagem.

De acordo com a Polícia Federal, o barco teria partido da Mauritânia com destino às Ilhas Canárias, rota frequentemente utilizada por migrantes africanos que tentam chegar à Europa. A principal hipótese é que a embarcação tenha se desviado do trajeto devido a correntes marítimas, até alcançar a costa brasileira.

Os corpos foram encontrados em avançado estado de decomposição. Segundo as investigações, a causa mais provável das mortes é fome e desidratação durante a travessia. As vítimas foram classificadas como imigrantes africanos, mas, devido à falta de documentação e ao estado dos corpos, a identificação individual não foi possível até o momento.

O governo brasileiro mantém diálogo com autoridades da Mauritânia para tentar avançar na identificação dos corpos e esclarecer as circunstâncias da tragédia.

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