No Brasil de hoje, criticar político virou esporte. Hugo Motta apanha todo dia: direita, esquerda, centro, rede social, WhatsApp, plenário. Mas existe um nome que parece blindado, intocável, quase sagrado no debate público: Alexandre de Moraes.
A pergunta é simples e incômoda: por quê?
Motta é deputado, eleito, exposto ao voto, ao erro e à cobrança. Moraes não. Moraes é ministro do STF, indicado, não eleito, mas com um poder que hoje supera o de muito presidente da República. Decide, manda, enquadra, censura, multa, investiga e julga — tudo ao mesmo tempo. E quase ninguém questiona.
Isso não é normal numa democracia madura.
Isso é assimetria de crítica.
Quando Motta erra, vira manchete.
Quando Moraes erra — ou exagera — vira silêncio constrangido.
A imprensa, que deveria fazer contraponto institucional, escolheu um lado. Parte da classe política prefere o conforto do medo. Outra parte aposta no cálculo: “melhor não mexer com quem pode te tirar do jogo”. O resultado é um debate público mutilado.
Não se trata de defender Motta. Nem de atacar Moraes por atacar.
Trata-se de coerência democrática.
Se um deputado pode ser criticado, um ministro também pode.
Se decisões do Legislativo são questionáveis, decisões do Judiciário também são.
Se a democracia exige freios e contrapesos, o STF não pode virar um poder sem freio.
Hoje, criticar Moraes virou tabu.
E tabu não combina com República.
Quando o medo de falar é maior que o dever de questionar, algo já saiu dos trilhos. Democracia não morre só com golpe. Morre também com silêncio conveniente, autocensura e idolatria institucional.
Criticar Motta é fácil.
Criticar Moraes exige coragem.
E talvez seja exatamente isso que esteja faltando.
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há 3 semanas
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