A Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), intensifica uma ampla ação de monitoramento da bacia hidrográfica dos rios Itacaiunas e Tocantins. O trabalho ocorre em parceria com o Instituto Evandro Chagas (IEC), Ministério Público Estadual, Unifesspa e apoio logístico de equipes especializadas da própria Secretaria.
A análise, realizada semestralmente, tem como objetivo avaliar a qualidade da água, identificar possíveis fontes poluidoras e mapear os impactos ambientais causados pela presença crescente do mexilhão-dourado — espécie exótica invasora que já provoca desequilíbrios ecológicos na região. As equipes atuam especialmente nos municípios de Marabá, Itupiranga e Tucuruí, percorrendo áreas estratégicas para a coleta e análise de amostras.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Evandro Barros, o monitoramento é essencial para orientar políticas de fiscalização, licenciamento e proteção dos recursos hídricos.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA“O que está acontecendo é o monitoramento da bacia hidrográfica dos rios Itacaiúnas e Tocantins. Essa parceria tem como objetivo acompanhar a qualidade da água por meio de parâmetros físico-químicos e microbiológicos, que realmente medem o estado do rio. Essas análises são fundamentais para subsidiar a fiscalização, o licenciamento ambiental e garantir a proteção da biodiversidade aquática e dos múltiplos usos da água,” explica o secretário.
Ele destaca que a ação ocorre a cada seis meses e orienta todas as medidas adotadas pela Semma. “A partir dos resultados, intensificamos a fiscalização, direcionamos ações de monitoramento e ajustamos os processos de licenciamento ambiental. Esses estudos nos mostram a saúde dos rios e nos ajudam a garantir o melhor uso da água pela população, identificando inclusive a presença de espécies invasoras como o mexilhão-dourado, que tem causado sérios danos ambientais.”
A pesquisadora do Instituto Evandro Chagas, Eliane Brabo, ressalta que o instituto foi acionado para realizar uma avaliação detalhada da qualidade da água em dois cenários distintos: possíveis impactos antrópicos no rio Itacaiúnas e os efeitos da infestação do mexilhão-dourado no Pedral do Lourenço.
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA“O Instituto Evandro Chagas tem uma sessão especializada em avaliação ambiental e da qualidade da água. Fomos acionados para analisar o Rio Itacaiunas, que circunda áreas urbanas e recebe influência de diversas atividades industriais e comerciais, o que pode gerar poluição difusa. Também avaliamos o Pedral do Lourenço, que sofre diretamente com a infestação do mexilhão-dourado,” explica.
A equipe percorreu 11 pontos no Itacaiunas, incluindo áreas de ponte a ponte, além do Lago Vermelho, considerado um berçário natural importante para o ecossistema regional. A análise busca medir um amplo conjunto de parâmetros como temperatura, PH, condutividade, metais pesados, parâmetros microbiológicos (indicadores de esgoto), bioindicadores que avaliam o grau de eutrofização e o potencial para navegação, pesca, abastecimento ou recreação.
“Esses parâmetros determinam se a água está adequada para usos primários — como banho e esportes aquáticos — ou para usos secundários, como pesca e navegação. Nosso objetivo é identificar de forma precisa quais atividades podem ser desenvolvidas com segurança e quais áreas precisam de intervenção,” afirma a pesquisadora.
A ameaça do mexilhão-dourado
O mexilhão-dourado, originário do Sudeste Asiático, chegou ao Brasil nos anos 1990 pelas águas de lastro de navios cargueiros. Em 2022, a primeira ocorrência documentada na região do Tocantins foi registrada justamente em Marabá. Desde então, notificações vêm crescendo ao longo do rio.
No Pedral do Lourenço, a presença maciça do molusco chamou atenção dos pesquisadores. “O Pedral apresenta condições ambientais ideais para a incrustação do mexilhão, especialmente pelo afloramento rochoso, o que favorece a infestação. Essa espécie exótica altera o equilíbrio ecológico, afeta o ciclo de nutrientes e impacta diretamente a fauna de peixes. O avanço do mexilhão-dourado é motivo de grande alerta,” ressalta Eliane.
As colônias podem ultrapassar 100 mil indivíduos por metro quadrado, causando prejuízos à pesca, à vegetação aquática, à navegação e até ao funcionamento de sistemas hidráulicos e hidrelétricos.
Parcerias locais fortalecem a pesquisa
Como o Instituto possui sede e estrutura laboratorial em Ananindeua, parcerias locais são essenciais para a execução das análises em campo. “Aqui em Marabá contamos com o apoio da Semma, que fornece logística, embarcação e servidores treinados, e com a Unifesspa, que disponibiliza o laboratório onde instalamos equipamentos e realizamos parte das análises. Essa cooperação torna o trabalho mais preciso e ágil,” explica a pesquisadora.
Ela também destaca a atuação da Promotoria Estadual, responsável por articular as instituições envolvidas.
Próximos passos
Com a conclusão das análises semestrais, a Semma irá:
– Intensificar a fiscalização nos trechos com maior impacto;
– Orientar ações de controle ambiental;
– Ajustar processos de licenciamento com base na saúde dos rios;
– Elaborar estratégias específicas para áreas afetadas pelo mexilhão-dourado;
– Promover educação ambiental sobre o uso responsável da água.
“Os resultados nos mostram onde atuar com mais força. Nosso compromisso é garantir a manutenção da qualidade da água e a proteção dos recursos hídricos das bacias do Itacaiunas e Tocantins,” reforça o secretário Evandro Barros.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PATexto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos e Divulgação Semma
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