Crítica: “Um Verão Infernal” (Hell of a Summer)

há 3 dias 5

A floresta costuma guardar promessas falsas. O silêncio entre as árvores engana, o lago reflete uma tranquilidade artificial e o verão vira cenário perfeito para erros que pedem sangue como resposta. É nesse imaginário já conhecido que “Um Verão Infernal” tenta se apoiar, evocando o espírito dos slashers oitentistas enquanto flerta com a comédia autoconsciente de uma geração que cresceu consumindo o gênero como meme.

 "Um Verão Infernal" (Hell Of A Summer)Crítica: “Um Verão Infernal” (Hell Of A Summer)

A história se passa em 1980, quando um grupo de jovens conselheiros chega ao acampamento Pineway para preparar a abertura da temporada. O isolamento, a rotina improvisada e a convivência forçada criam o caldo ideal para a paranoia. Quando os assassinatos começam, a suspeita se volta para Jason, o membro mais velho do grupo, visto como estranho demais para aquele ambiente juvenil. O filme aposta na desconfiança coletiva como motor narrativo, mas raramente extrai algo realmente afiado dessa dinâmica.

A proposta é clara desde o início. Revisitar arquétipos clássicos do slasher com um olhar moderno, irônico e nostálgico. As referências estão ali, do assassino mascarado ao grupo de jovens descartáveis, passando pela tentativa de comentar fama, espetáculo e violência. O problema surge na execução. A obra parece saber o que quer citar, mas não exatamente o que quer dizer, resultando em um filme que oscila entre a homenagem rasa e a paródia tímida.

Como terror, “Um Verão Infernal” carece de tensão. As mortes acontecem majoritariamente fora de cena, o suspense raramente se sustenta e o perigo nunca parece real. Como comédia, o humor funciona de forma irregular. Alguns diálogos carregam ironias pontuais, mas o texto insiste em personagens caricatos e pouco carismáticos, tornando a experiência mais cansativa do que divertida. A sensação constante é de um filme que tenta agradar sem arriscar, mantendo tudo em um nível superficial.

A direção de Finn Wolfhard e Billy Bryk demonstra entusiasmo, mas também inexperiência. Existe vontade de dialogar com clássicos do gênero, especialmente com “Pânico”, seja na estrutura de mistério ou na tentativa de comentar o próprio ato de matar como espetáculo midiático. Ainda assim, essas ideias aparecem diluídas, sem força suficiente para sustentar o filme. O excesso de personagens e a falta de desenvolvimento individual enfraquecem qualquer impacto emocional.

O elenco até se esforça, mas o roteiro oferece pouco espaço para brilho. Abby Quinn surge como uma presença mais interessante em meio ao caos, enquanto o restante do grupo oscila entre o irritante e o esquecível. Quando o espectador passa a torcer pelo assassino, algo claramente saiu do controle, não por ousadia, mas por falta de envolvimento.

O filme funciona como passatempo despretensioso para quem busca nostalgia sem grandes exigências. O problema é que o gênero slasher sobrevive justamente do exagero, da criatividade nas mortes e da construção de tensão, elementos que aqui aparecem diluídos. O resultado é um filme que se apoia no imaginário do passado, mas entrega pouco do impacto que esse passado representa.

“Um Verão Infernal”
Direção:
Finn Wolfhard, Billy Bryk
Elenco: Fred Hechinger, Finn Wolfhard, Pardis Saremi
Disponível em: HBO Max

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