Com 2 milhões de pessoas, Shakira redefine escala de shows no Brasil

há 1 hora 3

A noite de 2 de maio transformou a Praia de Copacabana em um cenário fora de escala até para os padrões do Rio de Janeiro. Diante de cerca de 2 milhões de pessoas, segundo a Prefeitura, Shakira comandou uma apresentação que ocupou toda a extensão da orla, do calçadão à Avenida Atlântica, enquanto prédios, hotéis e até embarcações no mar se tornavam pontos alternativos para acompanhar o espetáculo. A estrutura acompanhou essa dimensão. Foram 16 torres distribuídas ao longo da praia, equipadas com som, iluminação e telões de LED de nove metros de altura, garantindo visibilidade ampla em um evento pensado para multidão. Do início ao fim, o público respondeu em coro, sustentando uma atmosfera contínua de participação enquanto a artista reforçava sua conexão com o país em diferentes momentos do show.

 Fernando SchlaepferCom 2 milhões de pessoas, Shakira redefine escala de shows no Brasil | Foto: Fernando Schlaepfer

A apresentação no evento Todo Mundo no Rio entrou para a história antes mesmo do primeiro verso. Cerca de 2 milhões de pessoas ocuparam a orla, segundo estimativas oficiais, colocando o show como o maior da carreira da artista e também como um dos maiores já protagonizados por uma cantora latina. Não é um detalhe. É um marco de mercado, de alcance e de reposicionamento.

Shakira chega ao Brasil carregando uma turnê que já vinha testada em larga escala. “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour” passou por dezenas de cidades, acumulou números bilionários e consolidou uma narrativa centrada em reconstrução pessoal e força feminina. Em Copacabana, essa história ganha outra camada. O espetáculo deixa de ser apenas uma etapa da turnê e vira um encontro calculado com um dos públicos mais estratégicos da carreira da artista.

A abertura já entrega o tom. Drones desenham uma loba no céu, fogos recortam o horizonte e os olhos da cantora dominam a paisagem. Quando pisa no palco, Shakira não perde tempo. Emenda “La Fuerte”, “Girl Like Me”, “Las de la Intuición” e “Estoy Aquí” em sequência direta, como quem entende que precisa capturar uma multidão heterogênea em poucos minutos. É menos sobre aquecer e mais sobre assumir controle imediato de um território gigantesco.

Ao longo da noite, a artista percorre mais de três décadas de carreira com um repertório que alterna acertos óbvios e escolhas menos previsíveis. Hits como “Hips Don’t Lie”, “Chantaje”, “Loca” e “Waka Waka (Time for Africa)” funcionam como pontos de explosão coletiva. Ao mesmo tempo, momentos como “Acróstico”, com participação dos filhos no telão, e o bloco acústico com “Antología” e “Pies Descalzos, Sueños Blancos” reposicionam a artista dentro da própria narrativa, aproximando uma multidão que, à primeira vista, poderia parecer inalcançável.

Essa construção, no entanto, não vem sem riscos. Parte do setlist deixa de fora músicas importantes da trajetória, o que cria um recorte específico da carreira e, em alguns momentos, distancia quem esperava uma coletânea mais direta de sucessos. Ainda assim, o impacto geral do show não depende dessa completude. Ele se sustenta na dimensão e na forma como a artista organiza sua própria história ao vivo.

O ponto de virada acontece quando o Brasil deixa de ser plateia e passa a ser parte do espetáculo. Anitta surge para dividir “Choka Choka”, faixa presente no álbum “Equilibrivm”, e o encontro funciona como um dos momentos mais barulhentos da noite. Pouco depois, Caetano Veloso entra em cena para “Leãozinho”, em um contraste que muda completamente o clima da apresentação. Na sequência, Maria Bethânia puxa “O Que É, O Que É” ao lado da colombiana, acompanhada pela bateria da Unidos da Tijuca.

Essas participações não funcionam como participações protocolares. Elas reorganizam o show em tempo real, inserindo camadas de brasilidade que não estavam presentes na versão original da turnê. A presença de Ivete Sangalo reforça esse movimento em outro momento da apresentação, ampliando a sensação de evento coletivo.

Outro elemento que sustenta o ritmo é a troca constante de figurinos. Foram mais de dez mudanças ao longo da noite, muitas delas feitas diante do público, reforçando a dinâmica de espetáculo contínuo. Cada bloco visual acompanha uma fase específica da carreira, ajudando a costurar uma narrativa que poderia facilmente se perder diante de uma multidão daquele tamanho.

Entre discursos em português e declarações diretas, Shakira reforça uma relação antiga com o país. A artista relembra sua primeira passagem pelo Brasil ainda jovem e reconhece o peso do público brasileiro em sua trajetória, um discurso que encontra eco imediato em uma plateia que responde com intensidade rara mesmo para grandes eventos.

No fim, o que fica não é uma leitura simplificada de acertos e ausências no repertório. O show em Copacabana funciona como um reposicionamento público de escala, onde Shakira transforma uma etapa de turnê em um evento histórico, ajustado ao território e ao momento da própria carreira.

A “loba” que dá nome a uma de suas fases mais marcantes aparece aqui com outra função. Menos personagem, mais símbolo de permanência. Em uma indústria que se move rápido, reunir milhões de pessoas em uma praia e sustentar essa atenção por horas não é só um espetáculo. É afirmação de relevância.

Fique por dentro das novidades das maiores marcas do mundo! Acesse nosso site Marca Pop e descubra as tendências em primeira mão.

Ler artigo completo