Por muitos anos, Canaã dos Carajás estampou manchetes pelo mesmo motivo: ser uma das cidades que mais arrecadam no Brasil. O brilho vinha, sobretudo, do S11D, megaprojeto da Vale que colocou o município no mapa econômico mundial. Mas, curiosamente, arrecadar muito nunca foi sinônimo automático de boa gestão e o país está cheio de exemplos de “filhos de pais ricos” que não souberam administrar a própria fortuna.
Canaã, porém, decidiu seguir outro roteiro.
Os números divulgados pela VEJA Negócios, em parceria com a Austin Rating, mostram que a cidade deixou de ser apenas um cofre cheio para se tornar um exemplo nacional de administração pública eficiente. No ranking As Melhores Cidades do Brasil — que analisou 5.570 municípios por meio do Índice de Inclusão Social e Digital (IISD), composto por 253 indicadores em quatro pilares (Fiscal, Econômico, Social e Digital) Canaã dos Carajás conquistou o primeiro lugar do país em Indicadores Fiscais.
E não foi só isso.
A cidade também ocupa o primeiro lugar em execução orçamentária, o terceiro em austeridade fiscal, e no recorte de municípios de médio porte, segue líder em execução orçamentária, desempenho fiscal e comércio exterior, ficando em segundo lugar em austeridade. São posições que não se compram; se constroem.

Especialistas lembram que “uma cidade pode arrecadar muito e ainda assim fazer uma péssima gestão”. É aqui que Canaã se destaca: a administração conseguiu transformar volume de receita em estratégia e estratégia em resultado. “O levantamento da Austin mostra quem sabe alocar bem os recursos para gerar multiplicadores positivos no emprego e na economia como um todo”, resume Agostini, um dos analistas responsáveis.
Esse desempenho não surgiu por acaso. O município investiu pesado em automação de processos internos, capacitação contínua de servidores e redução dos prazos contábeis, construindo uma máquina pública mais ágil, transparente e organizada. Uma escolha que contrasta com o crescimento urbano acelerado que poderia, em outras circunstâncias, ter gerado caos.
Por aqui, gerou eficiência.
A prefeita Josemira Gadelha (MDB) sintetiza bem o impacto disso na vida real: “Cada indicador positivo representa escolas funcionando melhor, unidades de saúde equipadas, obras avançando e uma cidade mais segura”.
No fim das contas, Canaã dos Carajás mostra que arrecadar muito é bom mas saber gerir bem é o que realmente transforma uma cidade. E é justamente nesse ponto que o município volta a ser notícia: não apenas pela fortuna que possui, mas, sobretudo, pela maturidade com que escolheu administrá-la.
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