Caminhoneiros articulam paralisação nacional nesta quinta-feira (4/12) e mobilização ganha força nas redes

há 1 mês 35

Caminhoneiros de diferentes estados estão organizando uma paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (4/12). A mobilização, que surge de forma descentralizada e com forte presença nas redes sociais, deve ter maior concentração de adesões na Região Sudeste, especialmente em pontos estratégicos do estado de São Paulo. Apesar disso, organizadores afirmam que haverá tentativas de bloqueio e manifestações em todas as regiões do país.

O movimento, que não é unânime dentro da categoria, está sendo conduzido por lideranças regionais. Entre elas está Francisco Burgardt, integrante do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Ourinhos (Sindicam-SP). Ele afirma que a paralisação segue os trâmites legais e que, ainda na segunda-feira (1/12), um comunicado oficial foi entregue ao Palácio do Planalto informando o governo federal sobre a intenção de realizar a greve.

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Segundo Burgardt, a expectativa é de que o governo Lula (PT) abra espaço para negociar pautas antigas e consideradas urgentes pelos caminhoneiros. Entre as principais reivindicações estão:

  • Contratos mais estáveis para os transportadores autônomos;
  • Cumprimento efetivo da legislação de transporte de cargas;
  • Revisão do Marco Regulatório do setor;
  • Aposentadoria especial após 25 anos de atividade comprovada.

A mobilização ganhou impulso nas redes sociais, sendo impulsionada também por figuras públicas, como o ex-desembargador Sebastião Coelho, que vem incentivando a categoria a aderir ao protesto. Organizações envolvidas afirmam que o movimento deve começar tímido, com poucos caminhões parados, e que a adesão tende a aumentar ao longo do dia. A meta é alcançar mais de 40 pontos de paralisação em rodovias brasileiras.

Divisão dentro da categoria

Apesar da forte mobilização online, não há consenso entre os caminhoneiros. A Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos do Porto de Santos (CCAPS) informou que não deve aderir ao movimento, alegando que não houve assembleia ou decisão coletiva que justificasse uma greve.

Em contrapartida, entidades como a Associação Catarinense dos Transportadores Rodoviários de Cargas (ACTRC) e outras cooperativas regionais se manifestaram favoráveis à paralisação. O sindicato nacional da categoria declarou que apoiará qualquer decisão conjunta tomada pelos caminhoneiros, independentemente do desfecho.

Zé Trovão critica a mobilização

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC), conhecido por representar a categoria no Congresso Nacional, se posicionou publicamente contra a greve. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (3/12), ele afirmou que o movimento não apresenta propostas eficazes para os reais problemas do setor:

"Vocês não querem defender quem está preso, não querem defender o Bolsonaro. Vocês estão defendendo interesses próprios. Essa pauta não resolve os problemas do transporte. Querem fazer? Façam. Se der certo, ótimo. Mas eu não vou apoiar.", declarou.

Relembre a greve de 2018

Em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), caminhoneiros de todo o país protagonizaram uma das maiores paralisações da história recente. O movimento durou dez dias e foi motivado pelos constantes aumentos no preço do diesel e pela pressão por melhores condições de trabalho. O bloqueio das rodovias gerou desabastecimento nacional de alimentos e combustíveis, trazendo impactos significativos para a economia. A greve só chegou ao fim após acordo firmado entre o governo federal e representantes da categoria.

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