Tem artista que vem ao Brasil para cumprir agenda. Outros chegam com um plano. The Weeknd claramente está no segundo grupo, e a passagem pelo Morumbis escancarou isso em cada detalhe, do repertório à escolha de quem divide o palco com ele.
Anitta e The Weeknd ampliam conexão entre pop global e Brasil em shows no Morumbis | Foto: Reprodução/InstagramA turnê “After Hours Til Dawn” aterrissa na América Latina já ajustada a uma lógica que vai além do circuito tradicional. O Brasil deixa de ser apenas rota e passa a ser peça dentro da construção artística e comercial do projeto, e isso fica evidente quando Anitta não aparece como participação pontual, mas como presença recorrente, integrada ao show e ao discurso.
Anitta chega a esse momento em um ponto muito específico da carreira. Poucas semanas após firmar sua ligação com a Republic Records, braço da Universal Music Group, a artista brasileira reorganiza sua estratégia internacional enquanto apresenta ao público um trabalho que rompe com padrões anteriores. “Equilibrivm”, seu sétimo álbum de estúdio, surge com uma proposta estética e temática distante do pop direto que a consolidou globalmente.
O disco mergulha em espiritualidade, cultura brasileira e identidade, transitando entre funk, samba, reggae e elementos ligados a mantras, com letras em português, inglês e espanhol. As referências passam por símbolos religiosos e culturais, incluindo menções a orixás como Nanã e Logunedé, enquanto as colaborações ampliam esse alcance com nomes como Shakira, Marina Sena, Liniker, Luedji Luna e Rincon Sapiência.
Esse reposicionamento não fica restrito ao estúdio. Ele ganha forma ao vivo. Nos shows de abertura da turnê, Anitta estrutura um set focado em “Equilibrivm”, mas não abandona o repertório que a conectou ao grande público, criando uma ponte entre fases distintas da carreira. O resultado é uma apresentação que funciona tanto como vitrine internacional quanto como afirmação de identidade.
Quando os dois artistas dividem o palco, a operação deixa de ser simbólica. “São Paulo”, parceria já conhecida do público, ganha dimensão de hit global ao vivo, enquanto “Rio” surge como material inédito, testado diretamente diante de um estádio lotado. A resposta vem imediata. O coro de “fim de semana” ecoando nas arquibancadas traduz um nível de conexão raro para um artista estrangeiro, especialmente em um show que mantém mais de duas horas de duração e aposta em um repertório extenso.
The Weeknd sustenta esse envolvimento com um formato que mistura espetáculo visual e consistência musical. A apresentação percorre cerca de 15 anos de carreira, equilibrando faixas recentes de “Hurry Up Tomorrow” com sucessos que dominam rádios e plataformas. “Starboy”, “The Hills”, “Often” e “Blinding Lights” aparecem como pontos de explosão coletiva, enquanto outras músicas funcionam como construção narrativa dentro do show.
A estética segue essa mesma lógica. A estrutura monumental, com passarela atravessando o gramado e elementos cênicos de grande escala, transforma o palco em um ambiente imersivo, reforçado por efeitos pirotécnicos que acompanham momentos-chave do repertório. Em paralelo, gestos simples aproximam o artista do público, como descer para a grade, cantar com fãs e circular por diferentes pontos da arena.
O detalhe que amarra essa passagem pelo país está justamente fora do palco. The Weeknd opera globalmente dentro de uma estrutura ligada à Universal Music Group, com distribuição no Brasil pela Universal Music Brasil, e a presença de Anitta, também conectada ao mesmo ecossistema através da Republic Records, evidencia uma articulação clara entre mercado e criação.
Na prática, o que se vê é uma turnê que se adapta ao território por onde passa sem perder identidade, enquanto incorpora artistas locais de forma estratégica. O Brasil entra nesse circuito não como cenário, mas como parte ativa da engrenagem, influenciando repertório, colaborações e a própria leitura do show.
Com as apresentações em São Paulo já concluídas, The Weeknd segue agora com a “After Hours Til Dawn” rumo à Europa, mantendo esse desenho: um espetáculo pensado em escala global, mas moldado por conexões específicas. E, dessa vez, com o português ecoando no meio de um dos maiores shows do circuito internacional.
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