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O Pará está no epicentro de um movimento nacional que pressiona o Congresso a votar, há uma década, o projeto de lei que define as regras para a criação de novos municípios. Com cerca de 70 propostas de emancipação — a maior do Norte e a terceira maior do Brasil—, o estado simboliza a luta de distritos e vilas que sonham em se tornar municípios. Entre os argumentos utilizados para a emancipação, a distância geográfica da sede e as próprias autonomias econômicas.
No total, 462 distritos em 17 estados brasileiros buscam se tornar cidades independentes. A reportagem é baseada em informações do jornal O Globo.
Um dos casos mais emblemáticos no Pará é o distrito de Castelo dos Sonhos, localizado a aproximadamente mil quilômetros da sede do município de Altamira, ao qual pertence atualmente. A distância extrema dificulta o acesso a serviços básicos, a implementação de políticas públicas e gera um sentimento de desamparo na população, realidade comum a dezenas de outras localidades listadas. O distrito possui uma das argumentações mais fortes para se tornar município.
O último distrito a ser emancipado no Pará foi Mojuí dos Campos, em 2013. O território antes pertencia a Santarém e se tornou o 144º município do Pará.
LISTA: Conheça alguns dos distritos paraenses que buscam emancipação
Segundo o movimento, entre as localidades que pleiteiam autonomia estão:
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Vitória da Conquista de Carajás (Novo Repartimento)
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Belo Monte (Novo Repartimento)
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Lindoeste (São Félix do Xingu)
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Capistrano de Abreu (Marabá)
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Cruzeiro do Sul (Itupiranga)
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Santa Fé (Marabá)
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Cajazeiras (Itupiranga)
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Brejo do Meio (Marabá)
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Vila Novo Paraíso (São Geraldo do Araguaia)
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Açaiteua (Viseu)
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São Sebastião (Itupiranga)
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Maracajá (Novo Repartimento)
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Fernandes Belo (Viseu)
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Paraguatins (Marabá)
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Gleba Morada do Sol (São Félix do Xingu)
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Vila Mandi (Santana do Araguaia)
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Bela Vista do Pará (Dom Eliseu)
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Gleba Sudoeste (São Félix do Xingu)
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Vila Nova Canadá (Água Azul do Norte)
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Icoaraci (Belém)
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Rio Vermelho (Xinguara)
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Japiim (Viseu)
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Santana do Capim (Aurora do Pará)
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Moraes Almeida (Itaituba)
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Vila São José do Araguaia (Xinguara)
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Casa de Tábua (Santa Maria das Barreiras)
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Vila de Americano (Santa Isabel do Pará)
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Cachoeira da Serra (Altamira)
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Castelo dos Sonhos (Altamira)
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Vila Livramento (Garrafão do Norte)
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Vila Juaba (Cametá)
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Mosqueiro (Belém)
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Vila Bela Vista (Floresta do Araguaia)
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Terras dos municípios limítrofes (Nova Esperança do Piriá)
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Vila Socorro em Tracuateua (para incorporação a Capanema) – menção tripla indica intenso debate local
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Agrovila Minerasul de São Félix do Xingu (para incorporação a Tucumã)
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Agrovila Santa Terezinha de Santo Antônio do Tauá (para incorporação a Castanhal)
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Belterra (alteração de limites territoriais)
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Cairari (Moju)
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Bela Vista do Caracol (Trairão)
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Vila Janari (Goianésia do Pará)
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Placas do Pitinga (Breu Branco)
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São Joaquim do Ituquara (Baião)
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Vila União (Marabá)
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Taboca (São Félix do Xingu)
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Mauiatá (Igarapé-Miri)
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Lago Grande do Curuai (Santarém)
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Serra Pelada (Curionópolis)
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Flexal (Óbidos)
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Palmares II dos Carajás (Parauapebas e Marabá)
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Emborai (Augusto Corrêa)
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Quatro Bocas (Tomé-Açu)
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Nagibão (Paragominas)
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Monte Dourado (Almerim)
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Carapajó (Cametá)
O impasse legal de uma década
O coração do impasse está no Projeto de Lei Complementar (PLP) 137/2015, que está parado na Câmara dos Deputados sem previsão de votação. O último pedido para incluir a matéria na pauta foi feito em dezembro pelo deputado Allan Garcês (PP-MA). O projeto estabelece critérios rigorosos para evitar a repetição da "farra das emancipações" dos anos 1990, que criou municípios financeiramente inviáveis.
Entre as regras propostas estão:
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Aprovação pelas Assembleias Legislativas estaduais.
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Apoio de, no mínimo, 20% do eleitorado da área interessada.
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Limites populacionais: 6 mil habitantes para Norte e Centro-Oeste; 12 mil para Nordeste; 20 mil para Sul e Sudeste.
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Exigências de arrecadação própria compatível e restrições ambientais.
Lideranças políticas da região argumentam que a realidade amazônica — com grandes extensões territoriais, florestas e isolamento logístico — é profundamente diferente da vivida no Sul e Sudeste do país. Essa disparidade, segundo parlamentares envolvidos no tema, contribui para a falta de prioridade da pauta no Congresso Nacional, dominado por representantes de outras regiões.
Fonte/Créditos: Com informações de O Globo e Diário do Pará
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