A família de Gisele, que estava grávida de sete meses quando morreu em um grave acidente no dia 1º de maio de 2024, em Pacajá, segue vivendo um sentimento de revolta e impunidade quase dois anos após a tragédia. O caso, que deveria ter avançado na Justiça, sofreu novo adiamento e reacendeu a dor de quem espera por respostas e responsabilização.

O acidente ocorreu enquanto Gisele retornava para casa ao lado do marido, Angleison. Segundo relatos, o motorista José Vicente dirigia em alta velocidade quando atingiu o casal em cheio. Logo após o impacto, José Vicente fugiu do local, mas acabou preso pouco depois. Apesar da presença de bebida alcoólica dentro do veículo, os órgãos responsáveis não realizaram teste de bafômetro nem coletaram sangue para identificar possível uso de álcool ou drogas, o que a família classifica como negligência.
Gisele morreu ainda no local. Um médico que passava pela área tentou ouvir os batimentos da bebê para tentar salvá-la, mas infelizmente não havia sinais de vida. Angleison recebeu uma forte pancada na cabeça, precisou ser transferido com urgência para Marabá e ficou 11 dias na UTI. Até hoje, ele não recuperou totalmente a memória e não lembra do dia do acidente.
Após o óbito, o corpo de Gisele foi levado ao Hospital Municipal e, em seguida, encaminhado ao IML de Tucuruí, onde permaneceu por dois dias. Mesmo assim, o laudo emitido não registrou a gestação e não há informações sobre exames de sangue ou qualquer outro procedimento que confirmasse oficialmente a gravidez. Para a família, isso comprova falha grave por parte do Estado e compromete o andamento do processo judicial.
A falta dessas informações no laudo levou ao adiamento do julgamento, que deveria ter ocorrido nesta semana. A nova data marcada é 16 de abril de 2026. Além disso, a Justiça emitiu um alvará de soltura para José Vicente, que agora responderá em liberdade condicional, monitorado por tornozeleira eletrônica.
A família também destaca que, no dia do acidente, José Vicente já estava usando tornozeleira, e que sua prisão até então não ocorreu pelo crime que tirou a vida de Gisele e de sua bebê, mas pelo descumprimento das regras da própria tornozeleira. A decisão reacendeu a indignação dos familiares, que temem que o caso seja conduzido sem a devida responsabilização.
Diante do atraso no julgamento e das falhas apontadas durante a investigação, os familiares reforçam o pedido por justiça e afirmam que não vão desistir até que a morte de Gisele e de sua filha seja tratada com seriedade e respeito.
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